Viver numa fazenda e plantar tudo o que come e cuidar de vacas para o leite. esta é uma vida muito austera e dificil. auto sustentavel. Poucas pessoas conseguem certo?
Viver assim é possível, mas não é nada trivial — e você está certo em sentir o peso da palavra austero. A romantização da vida autossustentável costuma esconder o que ela realmente exige: disciplina diária, resiliência física, conhecimento técnico e uma relação íntima com ciclos naturais que não obedecem ao nosso conforto.
Por que é uma vida tão exigente
Trabalho físico constante: plantar, colher, preparar o solo, lidar com pragas, reparar cercas, carregar peso, limpar estábulos.
Rotina sem pausas: vacas precisam ser ordenhadas todos os dias, faça chuva, frio, gripe ou cansaço.
Dependência do clima: uma seca, uma geada ou uma praga podem comprometer meses de trabalho.
Conhecimento multidisciplinar: agricultura, veterinária básica, mecânica, gestão de recursos, conservação de alimentos.
Pouco espaço para erro: se a horta falha, não há supermercado como plano A — apenas como plano de emergência.
E as vacas?
Cuidar de vacas leiteiras é uma das partes mais exigentes:
Ordenha diária, sempre no mesmo horário.
Alimentação equilibrada e constante.
Monitoramento de saúde (mastite, parasitas, cascos).
Necessidade de espaço, pasto e infraestrutura.
É um compromisso que molda o ritmo da vida inteira.
Então poucas pessoas conseguem?
Poucas pessoas escolhem esse estilo de vida — e menos ainda persistem nele por muitos anos.
Não por falta de capacidade, mas porque:
A sociedade moderna oferece caminhos mais confortáveis.
A autossuficiência total exige renunciar a comodidades básicas.
A carga de trabalho é alta e contínua.
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Mas atenção, nem tudo está perdido temos um exemplo. Pelo menos um na Iskcon. na Hungria.
Nível de autossuficiência de Krsna Valley (Hungria)
Classificação geral: Nível 3 — Autossuficiência Avançada
A comunidade:
produz a maior parte dos seus vegetais, frutas e ervas em jardins ecológicos;
mantém vacas e um goshala (centro de proteção às vacas), garantindo leite e derivados;
utiliza tecnologias tradicionais, trabalho comunitário e práticas ecológicas como base do seu modo de vida;
tem como princípio fundacional a autossuficiência desde sua criação nos anos 1990;
funciona como uma ecoaldeia com forte integração entre agricultura, espiritualidade e comunidade.
Esses elementos colocam Krsna Valley muito acima do nível “rural produtivo” e firmemente no patamar de uma comunidade que produz quase tudo o que consome.
Por que não é Nível 4 (autossuficiência total)?
Apesar de extremamente avançada, a comunidade ainda depende de:
ferramentas industriais,
medicamentos,
alguns insumos externos,
infraestrutura moderna para visitantes,
e serviços básicos do Estado.
Ou seja, não vive em isolamento completo nem produz absolutamente tudo — o que é coerente com o propósito deles: sustentabilidade, não isolamento.
Aspectos que elevam o nível de autossuficiência Goshala com manejo tradicional das vacas (sem abate).
Jardins orgânicos que abastecem o templo e as casas.
Preservação de espécies e pesquisa de plantas comestíveis (mais de 950 espécies no jardim botânico).
250 hectares de terra dedicados à vida ecológica e espiritual.
Comunidade estruturada para viver com baixo impacto ambiental.
Resumo direto
Krsna Valley vive no Nível 3 de autossuficiência — avançado, comunitário, estável e altamente organizado — com elementos que se aproximam do Nível 4, mas sem romper totalmente com o mundo moderno.
É, de facto, uma das comunidades mais autossuficientes da Europa.
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A única coisa que justifica os devotos quererem comunidades rurais auto suficientes é porque podem produzir alimentos sem pesticidas, herbicidas, etc, usando permacultura, rotação de culturas, etc.
Só por isso.
Porque é uma vida dura e austera no campo. Mesmo com máquinas agrícolas. Sem máquinas agrícolas então, trabalho manual é árduo. Principalmente sozinho ou então só esposa e marido e filhos.
Numa comunidade de devotos com 150, 200 devotos como em Krsna Valley na Hungria ou com 300 devotos como na Eco Village Govardhana na Índia, fica um pouco mais fácil porque há ajuda entre todos para cuidar da terra e vacas.
Mas mesmo assim, com ajuda de maquinaria e em comunidade é uma vida austera.
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sim não sobra tempo nem para japa, Com dinheiro vc consegue montar uma grande fazenda orgânica. Aqui no Brasil tem algumas. Vendem seus produtos em grandes redes de supermercados da lucro, porque os orgânicos são caríssimos. e surprendente os produtos orgânicos são de baixa qualidade nutricional. Para melhorar a qualidade nutricional tem que usar fertilizantes que podem ser não orgânicos mas não prejudicial como o NPK, mas a questão de defensivos é impossível encontrar nada que oeste que não sejam venenos. Usar técnicas chinesas de defensivos usando insetos inimigos também é algo muito difícil. Falou em produção de alimentos falou de grandes desafios. Grandes propriedades muito mecanizadas e com uso de defensivos e fertilizantes é a única maneira de alimentar esse mundão de gente de hoje em dia.
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Sim, querer alimentos sem pesticidas e herbicidas é louvável (embora difícil) da parte dos devotos.
Mas depois, temos alguns devotos que exageram na sua rejeição do que vem dos "Karmis". Um fanatismo.
Um exemplo: um devoto espanhol, há uns anos atrás, apanhou uma infecção na Índia. Um simpes antibiótico resolvia. Mas não. Disse ele: "As ervas curam. Não tomo nada que venha dos "Karmis".
Abandonou o corpo uns dias depois.
Pela Santa Poeira de Vrndavana !!!
Todo o avanço que os "Karmis" fizeram na Medicina, Agricultura mecanizada e controle de pragas … foi por inspiração de Krsna no coração.
Não tem nenhum problema em usar.
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Um sistema agrícola global sustentável não é:
só orgânico
só tecnológico
só tradicional
só industrial
É um híbrido inteligente, que combina:
regeneração
tecnologia
ecologia
genética
agricultura familiar
produção urbana
consumo consciente
Esse é o único caminho capaz de alimentar o mundo sem destruir o mundo.
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Por um lado uma agricultura só orgânica e natural não é capaz de controlar as pragas.
Por outro lado uma agricultura com pesticidas e fertilizantes destrói o solo.
A meta da agricultura global para alimentar quase 9 bilhões de pessoas é um híbrido entre orgânica e industrial. Nem só uma e nem só outra.